Pacotinho de colunas da NEIDE
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A Cobra e o Passarinho
Neide de Azevedo Lima
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               O passeio tranquilo pela mata me fazia pensar na história dos Lobos Maus que também passeiam até hoje pelas florestas, engolindo as criançinhas desavisadas, e que as televisões noticiam o fim nunca esperado, e sempre previsÃvel. E me perguntava por que ainda existem tantos Lobos Maus comendo e matando criancinhas, jovens de ambos os sexos, sem que ninguém consiga parar essa roda da sina de morrer pelas mãos de lobos e feras, revestidas de ser humano, mas que na verdade são seres ruminantes que rastejam na lama para satisfazer seus instintos bestiais.
 O pensamento divagava pelos campos verdejantes cheios de flores e frutas silvestres. Eu andava, escutando o sussurro do silêncio da floresta que só meus ouvidos atentos captava. Encantada com o que meus olhos viam e meus ouvidos tentavam perceber. Já me desligara de todos os pensamentos que perturbavam a minha serenidade e passeava distraÃda sem sequer pensar na vida, quando de repente uma movimentação estranha e gritos lancinantes, chamaram minha atenção. Eram dois passarinhos que voavam e investiam sobre alguma coisa. Na realidade percebi depois que era um casal de passarinho. Eles tentavam proteger seu ninho, com três filhotinhos dentro. Esses piavam desesperadamente, e sem parar. Piavam de maneira diferente, como se algum perigo os rondassem. O casal de passarinho voejava sobre minha cabeça. Quase paravam sobre ela, e enquanto tentava me desviar, dos voos rasantes, atinei que alguma coisa de grave poderia estar acontecendo. E estava. Uma cobra tentava alcançar os filhotes e os dois passarinhos investiam sobre ela, tentando afastar o perigo de morte que seus filhotes corriam. Ambos estavam enlouquecidos e tentavam me chamar a atenção pelos riscos que seus filhotes estavam passando. Parei observando e estarrecida percebi que a cobra rastejava em direção ao ninho, enquanto o casal de passarinho tentava tira-la daquele lugar sagrado para eles. Eles investiam um de cada vez. Um atacava a cobra enquanto o outro se postara ao lado do ninho. A luta era desigual. A cobra se livrava deles abanando o rabo com violência, defendia-se, mas rastejava decidida em direção ao ninho. Vendo o risco que corriam seus filhos, eles jogaram uma última cartada. Eles se afastaram para um galho próximo piando sem parar. Daà a pouco vi os dois investirem juntos bicando a cobra sem parar. Eles partiram para o tudo ou nada. Acordei do estupor, ao sentir que eles perderiam a parada para a cobra. E eu ali inerte, sem fazer nada.
Juntei minha forquilha de ferro e vupt! Foi uma pancada só. Pela primeira vez eu conseguira prender a cabeça da cobra na minha forquilha, que há anos carrego comigo. Contemplei embevecida meu  belo trabalho. A cobra ali dependurada e se batendo enlouquecida para escapar da minha forquilha. Ao ver a cobra presa pelo pescoço e dependurada na árvore do cerrado tentando escapulir dali foi a minha grande compensação. Olhei para o alto da árvore e os dois passarinhos ofegantes, olhavam seus filhotes com ternura. Estes quietinhos, calmos sentiram que o perigo passara.
           Passei a mão sobre a minha testa, enxugando o suor misturado com as minhas lágrimas. Se meus filhos tivessem presenciado a cena, teriam repetido o refrão: “Eta mulher choronaâ€.
           Os passarinhos conseguiram salvar os seus filhotes.
           Será que ouvi mesmo uma gargalhada, ou foi ilusão do silencio da mata.
 Hoje faz cinquenta e um anos que meu filho Jairo se foi. Consegui salvar três filhotes de passarinho e não consegui salvar meu filho, que perdi em 24 horas.
           Foi tentado tudo e de nada adiantou. Talvez por isso eu tenha mais esse apelido. “Eta mulher chorona†O tempo passou, a dor se cristalizou, mas deixou seqüelas que continuam doendo em mim. Eu era apenas uma criança que perdeu seu filho querido em 24 horas sem nunca ter sabido nem como nem porquê. Essa é a maior dor do mundo. Depois de perder um filho, o que resta e o que vem depois a gente tira de letra.
           Por isso a forquilha certeira atingiu a cobra. Aquele casal de passarinho, não poderia morrer de tristeza. Precisavam continuar cantando para enfeitar a vida de todos os que amam a natureza. Mas não matei a cobra. Depois de três dias voltei ao mesmo lugar buscar a forquilha que carrego até hoje. Arranquei a forquilha e a cobra viva se esgueirou por entre o capim e as flores silvestres. Talvez por isso, os passarinhos cantem nas minhas portas e janelas.
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Novos Professores do Presidente
Neide de Azevedo Lima
O ditado comer pelas mãos dos outros, não é novo. Essa coisa de papagaio como milho, periquito leva a fama é mais comum do que se pensa. Na Câmara ou no Senado tem muito disso. Raros são aqueles que sobem á Tribuna e dão o seu recado. A maioria lê o que os assessores escrevem. E alguns leem até com certa dificuldade, por absoluta incompetência. Outros nunca subiram á Tribuna. Uma coisa é certa, burro não tem nenhum. Caso contrário eles não teriam chegado lá. Assim também se pode dizer do presidente atual. Burro ele não é. Mas que é de um atraso significativo todos nós sabemos. Ele custou a aprender que “menos, poblema, pá†não existem. Mas ele teve dois excelentes professores. O primeiro foi o Professor Francisco Welfort, que conforme os jornais da época noticiavam passava o dia inteiro corrigindo e ajudando o presidente a melhorar o Português e a concordância. Depois Welfort foi substituÃdo pelo grande teólogo Frei Beto, que inclusive passou a ser hóspede no Palácio Alvorada. Convivia com a famÃlia inteira. Não deve ter ensinado nada a Dona Marisa LetÃcia, porque ela nunca abriu a boca para pronunciar uma só palavra. Aliás parece que ao sair de um hospital onde fizera uma visita ao Vice-Presidente José Alencar ela respondeu sim: – Ele está bemâ€. Nunca mais se ouviu uma palavra dela. Nem para explicar, porque pediu cidadania italiana, para ela e os filhos. Estou curiosa para saber se o Presidente que é casado com ela também conseguiu cidadania italiana. É a Primeira Dama que constará da História pelo perÃodo de oito anos do governo Lula aquela que será cognominada: -“ Ä que entrou muda e saiu caladaâ€- Aquela que nunca participou de nenhuma obra social. Aquela que nunca fez nada, a não ser usar maiô vermelho, e mandar plantar uma estrela vermelha no jardim planejado por Burle Max, e implantar botox para ficar bonita. Conseguiu.
Mas voltando aos professores do Presidente, principalmente sobre Frei Beto, o grande incentivador dos programas sociais, um dos baluartes da Resistência Democrática durante o perÃodo negro da Revolução considerada A Redentora pelos órgãos governamentais da época, e ser considerada Golpe por nós da oposição da época. Esse homem fantástico que foi a estrela Guia do Presidente, deixou o governo, saiu do Palácio e tem comentado algumas vezes sobre os desvios de conduta e de princÃpios do PT.
Hoje os professores do Presidente são: Franklin Martins, o homem responsável pela comunicação e orientação sobre os discursos e nisso ele é bom, tem experiência porque foi o autor do Manifesto quando do Sequestro do Embaixador que resultou no banimento e exÃlio forçado de diversos guerrilheiros, que participaram da luta armada.
Outro professor do Presidente é o Top…top Marco Aurélio Garcia. O famoso homem do ato obsceno quando do acidente aéreo que matou 159 pessoas. Esses homens são os professores hoje do Presidente. É com eles que aprende e ouve conforme declarou na Fantástica Revista PiauÃ. Ele afirmou não lê jornais porque prefere contar com a opinião e consequente orientação dos seus assessores. Que pena Presidente! É lamentável ouvir isso da boca do Presidente. Vossa Excelência com a aprovação que tem da população nivelou o seu governo por baixo, ao fazer tal declaração, Inclusive porque o Top… Top… tem ideias estapafúrdias para um assessor. Por isso Vossa Excelência tem dado declarações chulas, bobas, absurdas e ás vezes incongruentes, porque são declarações dúbias, que deixam o PaÃs em situações difÃceis, como é o caso das FARC, do envio da gasolina para Hugo Chavez quando houve greve na Venezuela, como Fundador e orientador permanente do Fórum de São Paulo, organização extremista que em nome do presidente atual representa o governo nas reuniões com terroristas. Esse homem que é assessor especial do Presidente faz o serviço que o Itamaraty por uma questão de filosofia, ética, moral e princÃpios está impedido de realizar. E tem a comprovação desses fatos pelo palavreado chulo usado pelo Presidente, quando em reuniões que contou com a presença dos ministros o Chefe Maior do PaÃs usou da expressão “SIFUâ€. Que corresponde exatamente ao gesto que Marco Aurélio Garcia praticou e foi televisionado. O aluno não fez mais do que repetir o gesto do seu professor, que por sinal é professor afastado da Unicamp, exatamente para fazer o serviço que os Embaixadores de Carreira se negam executar porque honram o serviço que prestam á Nação. É sempre assim infelizmente. Todo governo precisa de uma eminência para lavar os dejetos das latrinas.Â
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HOMENAGEM ÚNICA NO MUNDO
Neide de Azevedo Lima
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                       Está ai, Tenho que comentar, não é possÃvel passar em branco. Quando digo que sou uma mulher abençoada porque tenho os melhores filhos do mundo, pode ter gente que duvida. Pois assim é e vou provar.
                       Não há de ver que um dos meus pimpolhos decidiu inovar. Ë verdade que os meus pimpolhos estão de cabeça grisalhas. Mas a cabeça deles é de 20 anos. Nem poderia ser diferente porque a mãe deles tem cabeça de trinta e cinco. É verdade que costumo dizer que Deus sempre faz as coisas bem feitas. Porque se hoje eu tivesse o corpo escultural de vinte anos, mas a cabeça carcomida poderia mandar matar, porque seria uma tope ira ambulante. Mas Ele que é o Senhor e Criador de todas as coisas, inverteu o processo comigo. Deu-me um corpo de setenta e conservou minha cabeça com trinta e cinco. E se por acaso ele tivesse se enganado e deixado corpo e cabeça com trinta e cinco anos, eu estaria botando fogo em roda de dança. Dançando o Carimbó no Maranhão, o Forro em Fortaleza, o Maracatu e Bumba meu Boi no Amazonas e o Frevo em Pernambuco e o Vanerão no Rio Grande do Sul, a Catira em Goiás a Folia de Reis em Ribeirão do Pinhal, desfilando outra vez na Festa de julho em Parintins e quem sabe um Tango na Argentina em boate ou na rua mesmo por que não? Uma coisa é certa. Ah! Tivesse eu corpo de trinta anos eu ia virar o meu Brasil de novo, e de quebra daria um pulinho em Florença e Paris. Isso é que dá quando se tem cabeça de trinta e cinco. Fica com pensamento esvoaçante, pensa que pode sair por ai, sem lenço e sem documento. E acima de tudo, curtir os amigos que fiz nesses trajetos todos. Sou de cultivar amizades, e amo de paixão os meus amigos, sem nunca ter nada com eles a não ser amizade. Cheia de encantamento, carinho e lealdade. Nunca passei das medidas. Quando quero bem aos maridos trato de querer bem as mulheres deles, senão o bicho pega na cabeça delas. E eu acabo dando risada, porque uma mulher de trinta ficar enciumada com uma mulher de setenta, é mesmo para rir e gargalhar. Ë verdade que ás vezes, a casa cai, e tudo se desmorona, e da amizade, não fica pedra sobre pedra. Fazer o que. São os tropeços da vida e do erro de suposições. Assim meus pimpolhos, por herança genética, por eles mesmos, não sei, porque não sirvo de exemplo, para ninguém, eles cultivam intensamente os amigos, e a famÃlia. E daà é que vem a surpresa inesperada, que no dia do meu aniversário me fez chorar de emoção e de alegria quase o dia inteiro. Enquanto recebia as visitas de parentes e amigos durante o dia todo e á noite também, observava de relance, para ler mais tarde os e-mails caindo. Choveu e-mails de Chapecó. Quem diria que aquilo fosse possÃvel. Comecei a me impressionar com a quantidade de e-mails, alguns procurando se identificar me escreviam. “Sou o marido da Suzi do Banco Itaúâ€. Outros escreviam “Nos conhecemos no Natal de Goio-enâ€. Gente vocês não imaginam a minha emoção. Outro me contava: “Perdi minha mãezinha há pouco tempoâ€. E eu fui me sentindo a mãe de todos eles. E de repente me passou pela cabeça que todos aqueles e-mails poderiam ser de leitores meus, como assim alguns se identificavam. E já comecei a me sentir uma grande cronista! Mas como essa gente toda soube que aquele dia era o dia do meu aniversário! Comecei a achar que eram tantos os meus leitores que talvez amanhã ou qualquer dias destes, eu fosse chamada para dar entrevista no Jô Soares! Ou quem sabe no programa Roda Viva da Bandeirantes. Mas na Roda viva, eu poderia falar sobre Israel e Palestina, e Oswaldo Aranha. Embora um leitor tenha me mandado e-mail ponderando da seguinte maneira. “Você não se conforma com a partilha da Palestina em duas partes, contudo, não seria muito pior, se ele Oswaldo Aranha tivesse criado o Estado de Israel na Amazôniaâ€?
Mas a noite chegou e no silencio do meu quarto, chorei muito quando vi que aquele montão de e-mails que chegavam de Chapecó, foi á maneira que meu filho encontrou para me prestar a Homenagem única no Mundo: Foi o meu filho que pediu aos seus amigos da Toca dos Ursos, que me mandassem um e-mail, me cumprimentando pelo meu aniversário, porque eu iria ficar muito feliz! Fiquei mesmo e chorei de emoção ao ler cada um deles. Um homenzarrão que não se envergonhou de fazer esse pedido aos amigos, foi muito homem. Tem os melhores amigos do mundo, E eu sou a felizarda mãe do melhor e mais amoroso filho que existe nesse mundão do meu Deus. Obrigada Menino do Rio.
O GRANDE INJUSTIÇADO I
Neide de Azevedo Lima
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       Há pouco tempo fiz uma crônica com esse tÃtulo, inconformada com a Lei da Anistia que a meu ver está sendo manipulada e sendo usada para distribuir dinheiro da viúva, que é a nação, para mercenários que estão cobrando os serviços prestados á Pátria durante o perÃodo ditatorial.Â
      Comentei o fato daquele cara que invadiu o Congresso e que liderou uma horda de desordeiros para o quebra-quebra, e que havia recebido Três milhões de reais como indenização mais uma pensão vitalÃcia, como anistiado. Venho comentado o papel desempenhado por Luis Eduardo Greenhald que foi advogado de Luiz Inácio da Silva quando ele foi detido para averiguações, e que vem faturando em cima dos anistiados, como o advogado que conhece o caminho das pedras.
        O que causou espanto foi a disparidade do valor dessas indenizações que são pagas. Assim o grande injustiçado, Jango Goulart, que foi deposto pelo golpe de 64, e que morreu no exÃlio, a viúva Maria Tereza recebeu Seiscentos mil reais, de acordo com a Lei da Anistia. Enquanto Ziraldo recebeu o que ele classificou de aposentadoria, a importância de hum milhão de reais mais uma pensão vitalÃcia de mais de quatro mil reais por mês como anistiado. Anistiado do que? O que fez ele para merecer tanto? Uma pergunta ficou no ar. Por que Ziraldo teria recebido muito mais do que a viúva de um presidente do Brasil deposto e que morreu no exÃlio? O que teria feito esse escritor para merecer ganhar mais do que um Presidente da República deposto pela Redentora?
        Vejamos o que encontramos sobre o escritor e cartunista. Ele foi o autor de um projeto intitulado, “A Cultura da Broa de Milhoâ€. O projeto foi considerado como hilariante. Entre outras coisas, consideradas absurdas até por Marilena ChauÃ, o cartunista “propõe a criação de um Bar moderno, vivo e iluminado, nos jardins em volta dos prédios, um bar que seja o ponto de reunião de todos os criadores, todos os artistas, todas as almas inquietas de BrasÃliaâ€.
“Misturando filosofia e gastronomia, Ziraldo defende o bar e, para manter a permanente originalidade do projeto, a ousadia atinge o cardápioâ€: Sua comida será fornecida por uma companhia aérea (a aviação brasileira tem famosamente, o melhor serviço de bordo do mundo). Já estamos em entendimento com a fornecedora da Vasp e a ideia pareceu-lhes convidativa. O Bar da Funarte vai se chamar “Vinagre, Azeite, Sal, Pimenta – Vasp e vai ter comida quentinha, prática e barata, para o pessoal comer no jardimâ€.
Matinas Suzuki Jr. escreve na pg. 183 do livro editado pela Folha de São Paulo – 20 Textos Que Fizeram História – Esse jornalista classifica “o Projeto de Ziraldo como Presidente da Funarte, como “um Ideário confuso, um bazar de sandices culturais que esse cartunista, enviou ao ministro da Cultura AluÃsio Pimenta.â€
Observação da cronista. Vale a pena ler as sandices escritas por esse cartunista que evidenciou ser um bajulador naquela época, ao sugerir que o primeiro passo, o primeiro gesto da Funarte seria mandar para a terra natal do professor Pimenta os instrumentos para a Banda de Peçanha.
Leiam esse livro que foi reimpresso em janeiro de 1992.
O objetivo de transcrever esses fatos foi para demonstrar a disparidade e a falta de bom senso que vem sendo usada como parâmetro para a distribuição dos pagamentos das indenizações pela Lei da Anistia.
Esse projeto foi apresentado, quando o Presidente José Sarney tomou posse como vice-presidente da República, de um Presidente que não foi empossado. Esse episódio também merece considerações pelas aberrações que acontecem no Brasil e que ninguém comenta até para não ser indigesto. Só aqui no Brasil acontecem aberrações jurÃdicas sem ninguém protestar. Claro que falar sobre isso, hoje não altera nada, nenhum fato. Tudo foi digerido sem mastigação.           Quem deveria ter tomado posse como Presidente da República deveria ter sido Ulisses Guimarães. Num PaÃs em que não se respeita a Constituição por medo do que possa acontecer se a Lei for cumprida, conceder uma indenização faraônica para um cidadão que não sofreu perseguição polÃtica, é o de menos. Conceder uma indenização á famÃlia de um Presidente da República, que foi deposto, e morreu no exÃlio muito menor á qual foi paga ao autor do Projeto A Cultura da Broa de Milho, projeto hilariante só mesmo no PaÃs dos gozadores, que publicam sandices.
Auto das Bodas da Fulô
Neide Azevedo Lima
Ele:
Venham! Venham! Rios, ribeiras e ribeirinhas, céus, montes, vales e montanhas.
Passarinhos, passarinhadas, bentevis e sabiás, sempre-vivas e girassóis, miosótis e mal me queres. Flores de laranjeiras e amores-perfeitos. Flores e lÃrios do campo. Venham todos, para testemunhar que eu quero essa mulher. Ela é meu avesso, minha comida, minha cabeça e meu preço.
Ela:-
Pedras preciosas, esmeraldas e brilhantes. Animais bravios, selvagens e domésticos. Fauna e flora do meu PaÃs. Venham todos testemunhar, que eu quero pertencer a esse homem. Quero-o de corpo inteiro, alma e coração. Ele é minha vida, meu braço, meu sangue, o ar que eu respiro. É meu cérebro e meu coração. Meu berço, meu terço, minha religião.
Ele:-
Venham para testemunhar, seres viventes, que eu amo essa mulher! Quero ser seu dono, seu cavalo, seu leão e seu cachorro, seu cedro, seu carvalho e ser seu jatobá.
Ela:-
Venha para testemunhar que eu quero esse homem. Quero ser sua égua, sua gata, sua cadela, a pombinha, a amadinha, a estrela para sua vida iluminar. Quero ser sua aroeira e a copaÃba. Quero ser a Rainha da Meia Noite para sua vida perfumar. Quero ser seu guaraná. E á minha sombra, sob o meu perfume, deixar você descansar e adormecer embriagado de paixão e de amor.
Ele:-
Sou rico e forte, pobre e fraco, sou gente independente. Acordai reino mineral, vegetal e animal. Acordai todas, as minorias oprimidas, negros, mulheres, prostitutas e homossexuais. Maiorias famélicas embrutecidas, esquecidas, pisoteadas, humilhadas e ofendidas.
Os dois:-
Levantem as bandeiras! Levantem as bandeiras!Venham irmãos para celebrar as bodas de dois seres que se amam como a natureza ordena.
Venham irmãos!Levanta Pai. Levanta filho! Ressuscitai todos os que morreram. Venham para saudar as bodas de núpcias de duas pessoas que se amam de acordo com a lei da natureza, venham para saudar a ressurreição do amor.
Amor… amor… Venham para assistir ao nosso ato de amor. Viver é um ato de coragem. Viver é um ato de amor. Venha participar do ato de fecundação no amor que aprendi com os pássaros e animais. Fecundou com sangue, terra, suor, esperma e amor. Venha homenagear ao renascimento do amor trazendo Mira! Ouro! Incenso! Vamos gozar da paz do amor e da liberdade! Vem rei dos animais. Vem rei dos homens. Vem Reis dos Reis Jesus!
Ela:-
E agora amor, faça como o rei dos animais e marque os seus domÃnios, andando solenemente á minha volta e marca o lugar aonde me vou deitar. Tira a minha roupa peça por peça e eu viro cadela no cio. As estrelas envergonhadas do nosso ato de amor se escondem entre as nuvens. A lua assustada de minguante se torna cheia. Você vem com tudo empinado, respira como cavalo, as ventas abertas, respirando ofegante sorvendo as gotas de orvalho que estão me banhando. De cadela eu viro gata, rosnando, me enroscando, vou me esfregando, gemendo, chorando e rindo de mansinho, como só gente sabe chorar e amar sentindo uma quentura gostosa escorrer entre as pernas, quase desmaiada de prazer. Nós dois acasalados. Eu gata, cadela, perna, égua, flor, mulher. Enquanto você murmura baixinho, sacramentando e me cobrindo de beijos.
Ele:-
Você tornou-se minha mulher, rosa em botão, rosa, rosa, rosa mulher. Rosa vermelha, desvirginada, perfumada, perfumando a vida do seu homem do seu macho, do seu amor. Rosa Fulô. Minha mulher, mulher gata, Fulô mulher. E num relincho de vitória cai sobre o meu corpo, coberto de espuma e se espumando ofegante murmura: Muito mais murmúrio e gemido do que grito porque sufocado na garganta.
           Fulô! Rosa Fulô! Rosa Vermelha! Rosa despetalada, desvirginada!
           Você é minha mulher!Você é minha mulher!
           Os anjos responderam.
           Amém! Amém!









































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