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A Coluna da Neide

Submitted by Amilton Alexandre on terça-feira, 9 dezembro 2008Sem comentário

BAIXO CLERO

Neide de Azevedo Lima

     TEM coisas nesse Congresso que deixam qualquer pessoa abismada. Lá dentro conforme denominação dos próprios Congressista, existem castas diferentes. Prova evidente de que há preconceito entre eles. Pois não há de ver, que lá existem deputados e senadores de primeira classe e de segunda classe. Digamos que existem dois tipos de deputados e senadores. Os da elite intelectual são os congressistas de primeira classe. E supõe-se que existam aqueles sem cultura, que são os de segunda classe, mas com manejo de cintura ou “jogo de cintura” e por essa expressão, subentende-se que são os “Marias que vão com os outros”, ou até mesmo podem ser classificados de “Vaquinhas de presépios”. Esses não têm outro compromisso senão apoiar o governo, votar a favor de tudo, e de quantas forem as Medidas Provisórias. E se for possível também receber uma caixinha, para cumprir bem as ordens emanadas e mandadas pelo Governo. Só pode ser por isso, e não sei por que não se rebelam quando são chamados de Congressistas do Baixo Clero. Baixo Clero são os irmãos que se dedicam á religião, mas não celebram Missa. São aqueles que realizam os serviços menores.  Não entendo a sistemática da Igreja, nem de religiões, mas pela lógica deve ser isso. Politicamente dentro do Congresso, Baixo Clero significa aqueles deputados sem traquejo político, pouca cultura, e alguns matutos que gostam de exibir suas roupagens típicas até para chamar atenção da Mídia que os ignora deliberadamente. O caso típico de Baixo Clero, mais famoso, foi à eleição de Severino para Presidente do Congresso, derrotando Greenhald candidato do governo, por pura sacanagem da oposição. Greenhald é o advogado que patrocina as causas pedindo indenizações homéricas pela Lei da Anistia.  Severino um representante da média do povo brasileiro é uma figura simples e folclórica, mas que projetou o Deputado Gabeira nacionalmente, quando em histórico “bate-boca” nacional sugeriu que Severino saísse da Presidência, porque a presença dele envergonhava o Congresso e o País.  E existem ainda os fantasmas, que vagueiam pelos corredores porque não acreditam que deixaram de ser deputados. Esses que foram candidatos  e não voltaram porque perderam as eleições, voltaram para se alimentar das migalhas que sobram das mesas de banquetes. Continuam ali azucrinando os ouvidos dos ex-companheiros, pedindo emprego para parentes, e transitam livremente pelos corredores e até no plenário, e quando interpelados dão a entender que são assessores de algum parlamentar. É a Síndrome do “Eu fui”. Eu fui deputado, eu fui senador e não se conformam em ser ex. Porque quando se transformam em ex, e o cérebro não aceita a derrota. E eles continuam ali como mosca varejeira que persegue o cheiro de carne podre. Mas o Baixo Clero vai decidir novamente essa eleição. Michel Temer que se cuide. Porque se o grupo de segunda categoria se unir, o Tião Viana está eleito. Ele tem um transito muito bom dentro do senado. Mas por enquanto as dúvidas persistem. E o rolê continua pela disputa da cadeira de Presidente com o circo pegando fogo nos bastidores. Afinal tudo passou para o segundo plano. Até a crise econômica, cujo esforço de apagar o fogo maior, o Presidente se esforça tanto que se aproveitando da alta taxa de aprovação do seu governo distribui beijinho, beijinho enquanto o pau, pau come nas taxas de desemprego e a ameaça constante de falência assombra empresários. Até a Formula Um está balançando. Mas nós vivemos num paraíso constante e permanente. E enfiamos a cabeça no buraco como fazem as avestruzes, deixando o resto de fora. E se a Honda rodar, paciência. Agora se houver uma parada nessa modalidade que é a Formula Um, o Massa, o Rubinho, o Piquet, podem criar mundialmente a Corrida de Kart, que é mais emocionante. Porque o brasileiro quer ver circo. E se esse pegar fogo a sensação vai ser a mesma. Enquanto isso, o Renan perde o sono, o Sarney se descabela, o Tião se anima, a oposição espreita para dar o bote e o Baixo Clero se regozija, porque depende deles a eleição do Presidente do Congresso. Câmara e Senado estão pegando fogo.  Chama o Bombeiro ai, chama o bombeiro ai, para garantir o direito do Temer de fazer valer a palavra empenhada. Mas desde quando político sustenta a palavra empenhada? Eu hein?                                                                                                                                                                             neideazevedolima@uol.com.br

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